So, Europe was more than they expected. And they didn't have words for Spain. Marc always knew it, but Estella and Hani had never dreamt of a place like that. They would've done anything for the trip to be perfect.
As reality surprises them once again, Estella and Hani will thank the existence of their attractive friend Marc forever, because even though being a bit scandalous, he will be the door for their dreams to come true.

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Thursday, September 8, 2011

IV - Estella

Marc realmente não conseguia calar a boca. Já era terça-feira, e o jogo fora sábado. O Sergio isso, o Sergio aquilo. Quando será que ele ia ligar? Ele era tão sexy. O sorriso dele era maravilhoso. Com certeza os dois iam ficar, pelo menos ele tinha certeza, já que continuava afirmando a cada cinco minutos. E nenhuma das duas agüentava mais escutá-lo.
Ele só perguntava do celular e se tinha tocado. Se trancava no banheiro por horas. Não que isso não fosse normal, mas passava ainda mais tempo do que o usual se embelezando porque, segundo ele, estava ‘aproveitando enquanto ele não ligava para ficar mais incrível’. Como se ele precisasse.
Marc sempre foi muito bonito. Tanto Estella quanto Hani se sentiram atraídas por ele antes de conhecê-lo. Não demorou muito para perceberem que era gay, porém ele tinha seus momentos de homem perto delas. Esses momentos faziam com que Estella amaldiçoasse quem quer que fosse responsável por determinar a orientação sexual das pessoas.
No entanto, para as duas garotas ele sempre seria aquele tipo de homem maravilhoso que era o amigo, e que nunca, nunca, mas nunca mesmo passaria disso. Nem mesmo quando ele saísse do banho só com a toalha enrolada, quase caindo, e com o peito todo molhado, a água escorrendo do cabelo.
- Hani...
- Não, o Serg...- Hani parou no meio da frase. Estella queria muito rir da expressão na cara da amiga e do modo como o rosto dela corara enquanto ela desviava os olhos e continuava a falar - Sergio não ligou, Marc.
- Hum – o amigo voltou para o banheiro batendo a porta atrás de si. Parecia que estava obcecado mesmo.
Está bem, Sergio Ramos realmente era um dos homens mais... Sergio Ramos do mundo. Não tinha melhor definição para um homem, um homem espanhol e caliente, do que simplesmente Sergio Ramos. Mas todos sabiam disso depois de vê-lo. Marc não precisava explicar.
Hani já estava tão irritada com o amigo que desenvolveu a habilidade de usar fones de ouvido no volume máximo. A noite anterior tinha piorado a situação entre eles. Ele andava realmente insuportável. Mas os três se conheciam há anos; Estella sabia que Marc só estava afetado daquele modo porque se tratava daquele homem.
- Na verdade, eu nunca tinha reparado nele antes. Mas agora eu não sei como isso foi possível...
- Marc, é óbvio que você não sabia quem ele era. Você não conhece nenhum jogador de futebol. Você não sabe nada sobre futebol. Durante a copa do mundo você se referia ao Piqué como ‘o alto com a blusa enfiada no calção’ e depois como ‘o alto bem-dotado’.
- Mas ele é bem-dotado! – Marc riu, colocando a língua pra fora.
- Marc. Eu aposto que você não sabe o nome de nenhum jogador da Espanha. E você assistiu a todos os jogos comigo.
- Eu sei sim, tá! – Ele fez uma cara  feia – Mas eu não vou falar.
- Ah, então você não sabe! – Hani disse, levantando as sobrancelhas.
- Sei, mas porque eu deveria falar? Só para provar para vocês? Eu não preciso provar nada para ninguém, ok!
- Você sabe que quando as pessoas falam isso é porque... bom, você sabe.
O moreno fez uma cara de desdém após as palavras de Estella e coçou o nariz sardento. Isso era uma mania que tinha quando estava irritado, ela conhecia aquele sinal muito bem.
- Até agora você não sabe o nome de nenhum jogador da Alemanha.
- Ah, Hani, você só está falando isso por causa da sua quedinha por aquele moreno que não é alemão de verdade...
- SIM, ELE É, MARC! O MAIS PERTO DE TURCO QUE ELE TEM É O BISAVÔ DELE! Eu já te disse isso mil vezes! – Aquela era a gota d’água quando o assunto era irritar Hani. Falar sobre Mesut Özil? Marc devia estar louco, Estella nem mesmo brincava com isso.
Hani colocou os fones de ouvido, bufando. Aquele fora provavelmente o maior espaço de tempo que ela agüentou falar com ele. O moreno se virou para a outra com uma mistura de surpresa e horror no rosto, pegando a base com fator solar jogada na cama para se embelezar no banheiro. Ele fazia questão de ressaltar essa parte. Como se realmente a usasse somente pelo protetor.
- Qual é, M? Você sabe que você não deve cometer uma gafe em relação ao Özil.
- Ah, tá, mas eu esqueci! – Obviamente aquilo era uma mentira. Marc era uma daquelas pessoas incapazes de admitir um erro. Realmente não parecia que o fizera por mal, embora gostasse de provocar as amigas. E num dia normal Hani não teria ficado brava de verdade com aquilo. Estella acreditava que Marc simplesmente não notara o quanto estava irritante, principalmente após a noitada, que foi a verdadeira causa da explosão de Hani em proporções anormais.
Por mais que quisesse muito que Sergio ligasse, o mais rápido possível, para que Marc calasse a boca e satisfizesse logo suas fantasias, Estella não conseguia imaginar o que aconteceria se ele realmente o fizesse. O ataque que teria. Ou melhor, o que Hani faria, já que o número de telefone que Sergio tinha anotado em um cartão era o dela. Se lembrava muito bem da reação da amiga quando soube disso.
- Você o quê? Você O QUÊ? PASSOU MEU TELEFONE PARA A PORRA DO SERGIO RAMOS?!
- Querida, você é a única com telefone aqui! Quer dizer, chamadas internacionais são absurdas! Nós concordamos que nós três usaríamos o se-
- É, porque só eu lembrei da licença internacional! Mas NÃO PARA VOCÊ DESTRIBUÍ-LO PARA UM JOGADOR DE FUTEBOL QUE DEU EM CIMA DE VOCÊ! – Até quem conhecia Hani teria medo daqueles olhos possessos.
- Ai, invejosa! – Marc soltou uma risada afetada, que mais tarde se tornaria comum naqueles dias. Hani então arregalou os olhos ainda mais, virou a cabeça e parecia à beira de um ataque. Mas ao invés disso teve uma reação muito ‘Estella’ e se virou para estender a camisa assinada pelo Xabi na cama.
Xabi. Ele era incrível. Não foi nenhuma decepção conhecê-lo, como poderia ter sido. Ele realmente era tudo aquilo. Era bonito, o sorriso de lado dele conseguia ser ainda mais bonito pessoalmente. Na verdade, ele era muito melhor do que o esperado. Ele era extremamente simpático. Estella não acreditava que ele tivesse ficado tanto tempo conversando com elas, e ainda por cima tivesse assinado tudo, e lhes dado sua própria camisa. Quando ele a tirou revelando seu torso... aquele peitoral... A camisa permaneceu aqueles dias dentro da bolsa que Hani levara ao jogo. Estella nem falou nada sobre isso porque não queria admitir que tinha medo de não ter camisa nenhuma e ter sido tudo um sonho.
E ele as havia convidado para um treino! Por mais que tentasse não pensar nisso, já que tudo era provavelmente uma grande ilusão, quanto mais se concentrava em não ter esperanças, mais elas se solidificavam. Já bastava o jeito ridículo como tinha agido na frente dele. Falando como louca. Como se fosse uma fã pirada. Ou pior, uma desesperada.
Nos últimos dias tentara, em vão, focar todas as suas atenções somente aos planejamentos de visitas aos locais turísticos de Madrid e de Barcelona. Barcelona! Ela não conseguia colocar na cabeça o fato de que já estava na Espanha, já havia assistido a um jogo no estádio Santiago Bernabéu e conhecido Xabi Alonso. Xabier Alonso. A grande probabilidade é que só estivesse lá para entretê-las enquanto Sergio se jogava para Marc. Mas quem ligava?
Madrid era linda. Estella tinha certeza de sua eficácia como planejadora da viagem, e sabia que, mesmo com a tensão entre Marc e Hani aumentando a cada palavra, ambos estavam aproveitando muito os lugares que visitaram assim como ela.
Antes mesmo do jogo já haviam estado em alguns dos lugares mais famosos e prestigiados de Madrid. O hostal em que se hospedaram se localizava no centro, por isso estavam muito próximos de Puerta Del Sol, o marco zero da cidade. Lá se localizava a Real Casa de Correos, que tinha uma torre com um relógio para o qual os madrileños olhavam na noite de ano novo, comendo uvas a cada uma das doze badaladas.
- Ai, adoro! Vamos comer uvas aqui no ano novo também, né? – o amigo perguntara à Estella quando ela contou o que lera a respeito do relógio.
- Marc, nós vamos para Barcelona logo depois do natal. Você escolheu as datas. Lembra?
Depois disso haviam passado pela Gran Vía, a rua mais famosa de toda Madrid, onde Estella fez compras de presentes para seus pais, assim como Hani. Também visitaram a Chocolateria San Ginés, conhecida por seu chocolate con churros. Era realmente um lugar delicioso, com um balcão de mármore, as paredes de madeira verdes cheias de espelhos e um relógio antigo pendurado. O adotaram como seu ponto de todos os dias, para o café da manhã, lanche ou cena na madrugada.
Depois do inacreditável jogo do Real Madrid, Estella se lembrara de que tinham de fazer a excursão no estádio. Como se Hani não fosse lembrá-la, de qualquer jeito. Mas como a amiga só usava aqueles malditos fones e Marc não ligava muito pra nada que não começasse com ‘Ser’ e acabasse com ‘gio’, ela decidira visitar os locais mais históricos primeiro.
Domingo tomaram um trem até a Estación Atocha, que por si só já era uma obra de arte, com vários jardins de inverno dentro. Não tiveram de andar muito até o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, que era composto basicamente por arte contemporânea e moderna. O quadro Guernica ao vivo. Dalí e Miró. Uma livraria imensa especializada em arte do século XX. Estava ali uma coisa com que os três se relacionavam, a arte. Estella se lembrava de que até achara que o amigo estava falando um pouco menos.
De lá foram para o Real Jardín Botánico de Madrid, que custou somente dois euros cada um e tinha plantas de cinco continentes, principalmente da América do Sul e das Filipinas. Se lembrava das palavras de Marc a cada planta que passavam.
- Ai, que luxo! Ai, detestei! Aquela ali é bonita! Hum, será que uma planta dessa daqui é muito cara? Pensei em levar uma pro meu quarto!
- Marc, essa planta está em extinção – Estella respondera.
- Essa não foi a minha pergunta.
Segunda haviam ido a pé para o lado mais ocidental da cidade, conferindo a Plaza Isabell II e o Teatro Real. A parte para qual Estella estava mais ansiosa era a Plaza de Oriente, após tudo que tinha lido e fotos que vira. Lá passaram grande parte da tarde, andando entre todos os jardins que compunham o Palacio Real e observando todas as estátuas de reis espanhóis medievais. Felipe IV montado em seu cavalo bem no centro. O Campo Del Moro era gigantesco comparado aos Jardines de Cabo Noval e os Jardines de Sabatini. Passaram nos Jardines Lepanto no caminho da volta, quando o sol já estava baixando.
Na caminhada ao hotel, Estella, entediada com a falta de conversas do dia, resolvera compartilhar um assunto com Marc que não envolvia aquele jogador de futebol e comentou que um bairro central, conhecido como Chueca, era definido como uma área muito... simpatizante.
- CO-MO-A-SSIM? Tem um bairro gay, que é o nosso bairro, e eu não estava sabendo disso POR-QUÊ? – Marc teve um ataque, e Hani mudava as músicas em seu I-pod. Estella já havia entendido o que aconteceria.
- Marc, você não qu-
- Nós vamos sair! Hoje! – O rapaz interrompeu Estella numa explosão de animação. Ela se virou para Hani, que ainda escutava o aparelho.
- Você sabe que isso vai ser ruim agora, você não prefere esperar até as coisas entre vocês melhor-
- Ai, para, você só acaba com a minha felicidade! Nós vamos e pronto! – Estella fora interrompida novamente. Tecnicamente, não havia problema nenhum em sair para a maldita da balada gay, o problema é que Marc sempre escolhia lugares ou de gosto duvidável ou de preço exorbitante. Hani provavelmente não ficaria feliz com nenhuma das duas opções.
Chegando ao hotel, Marc pegou um bolo de dinheiro e saiu em busca de uma Lan House. A maioria dos hotéis tinha Wi-fi, mas o hotel que escolheram era realmente simplório. No quarto não havia nenhum tipo de decoração, somente as três camas e duas mesas de cabeceira, uma entre as camas de Estella e Hani e outra ao lado da cama de Marc. O chão era de carpete, discreto, as paredes brancas, assim como todo o quarto e o banheiro. Havia uma grande janela acima das camas das duas meninas e um pequeno armário para guardarem as malas.
Enquanto Marc estava fora, Hani aproveitara para tirar os fones de ouvido. Estella mal ouvira uma palavra vinda dela desde que voltaram do jogo. As duas se sentaram na cama, uma de frente para a outra, se olharam por alguns segundos, e finalmente Hani soltou um longo suspiro.
- Meu, eu estou realmente cansada... Ele não para de falar do Sergio. Você acha mesmo que ele vai ligar? – Estella vestiu sua cara sarcástica. Que tipo de pergunta fora aquela?
- Sério? Você sabe! É claro que não. Eu também estou um pouco irritada, mas eu estou com dó dele. Se o Sergio não ligar, o que é bem provável, eu não sei o que ele é capaz de fazer. Do jeito que ele é dramático...
Alguns minutos depois, Marc voltou com uma escolha definitiva de onde passariam a noite. A balada se chamava Rick’s, e ele prometeu que não era muito cara e ‘nem sequer tinha apresentações de drag queens’. Hani concordou porque acreditava que Marc ficaria bem ocupado por lá e ela ficaria livre dele.
Estella não se lembrava de muita coisa da noite regada a copas de todos tipos – gin e tônica, whisky e coca, rum e limão, vodka e laranja –, e provavelmente Hani também não. Porém, o que se lembravam muito bem era que o ambiente parecia saído do filme Casablanca, o chão era feito de mármore, as colunas eram douradas e a conta que tiveram que pagar na saída era absurdamente cara.
- Acho que eu me enganei, Hani, o mais barato era outro... Ah, mas com todo esse dinheiro, por que me importar?
- PORQUE NÓS NÃO SOMOS RICAS E TAMBÉM TIVEMOS QUE PAGAR! – Hani não havia falado nem mais uma palavra para Marc até a hora de dormir.
Naquele dia, o plano de Estella fora seguir para os dois outros museus mais importantes, o Museo Del Prado e o Museo Thyssen-Bornemisza, mas logo percebera que, naquela situação, Hani estava até disposta a concordar com Marc. Nenhum dos dois estava animado para andar tanto e ficar em pé o dia todo como no dia anterior. Os dois já haviam tido a briga envolvendo Özil alguns minutos atrás. Então teve uma idéia.
- Nossa isso é realmente uma grande pena... porque eu tinha pensado em ir fazer uma excursão  em um certo estádio que tem por aqui... mas já que é longe, um grande caminho, e a gente provavelmente ficaria o dia inteiro lá, vocês não devem querer ir... estão muito cansados, não é?
Estella teve uma imensa vontade interna de rir do modo como a expressão de ambos mudou de um instante para o outro. Então lá se foram  os três percorrer livremente o interior do Santiago Bernabeu.
Foram até a estação Sol, ao lado do hotel, e tomaram o sentido Villaverde Alto até a estação Plaza de España. De lá mudaram para a linha Puerta del Sur Tres Olivos, para chegar à estação Santiago Bernabeu. Marc sabia que aquele era um lugar sagrado e se comportou, fazendo com que a excursão do dia dissipasse um pouco a irritação da amiga.

Monday, September 5, 2011

III - Xabi


Aquele foi um bom jogo. Não foi incrível, mas bom. Ninguém havia se machucado, e o time ganhou. Isso era o mais importante. Sempre haviam aqueles jogadores que levavam a partida para um lado pessoal, como o moreno um pouco mais alto e robusto a quem marcara durante os noventa minutos, que agora acabara de esbarrar suspeitamente sem querer em seu ombro levemente dolorido.
Mas tudo estava bem, estava a caminho do vestiário e de uma merecida ducha para relaxar e evitar qualquer lesão. Já sonhava com a água escorrendo pelo corpo e agora desejava ter trocado a camisa com algum adversário. Quão ridículo pareceria se a tirasse simplesmente por calor?
Escutou alguns berros muito próximos e algo como ‘somos brasileiros’ mas isolou qualquer som. Contava os passos para o chuveiro, esquecendo todo o estádio a sua volta, desejando estar cercado somente pelo barulho da água e pelo vapor. De repente foi abruptamente trazido de volta à realidade, puxado por um forte e mal disfarçadamente animado Sergio Ramos.
- Xabi! Vem aqui comigo…
- Espera, o que você quer?
-  Distrai para mim aquelas duas meninas ali, amigas daquele cara, para eu poder… – A voz de Sergio passara de baixa para um sussurro, mesmo que estivesse pronunciando aquelas palavras diretamente ao ouvido do amigo.
- Ai, ai, ai, não precisa me dar detalhes sobre essas suas… - Xabi se afastou empurrando o moreno de leve, com um sorriso constrangido no rosto.
Se virou para o lado para que Sergio apontara, de onde também os berros haviam vindo. É claro. Ele era brasileiro. E Sergio estava interessado. Seus olhos recaíram sobre os dizeres de sua camisa. Ele era exatamente o tipo do lateral. ‘I’m too sexy for my shirt’. Curiosamente, Sergio nem sequer falava inglês muito bem.
Xabi deu uma última olhada por cima do ombro para o vestiário. Ele era um amigo muito bom. Deixou-se arrastar, então, ao lado do outro até aqueles fãs que continuavam gritando e pareciam não entender que os dois já iam em sua direção. Conforme se aproximavam, os olhos das duas garotas se expandiam. Já o rapaz ao lado delas alisava a blusa enquanto os media de cima a baixo.
Depois de assinar algumas coisas relativamente estranhas fornecidas pelas duas garotas – duas camisas do Real Madrid, dois broches, um calendário, um desenho, um CD de uma banda estranha de que nunca tinha ouvido falar, dois caderninhos de espiral, uma agenda e uma foto que também pertencia a um porta-retrato de sua própria sala – tentou puxar algum assunto para que Sergio pudesse ‘fazer sua mágica’, como diria.
- Então, quais seus nomes? – Sério? Como poderia puxar um assunto com isso?
- Eu sou a Estella, essa é a Hani, hehehe, nós somos do Brasil.
- Ah, é mesmo? – E agora? Essa era a próxima pergunta que ele ia fazer! – Hum. Eu… estão gostando da Espanha?
- Sim! Na verdade nós chegamos há pouco tempo, não conhecemos Madrid direito ainda. E eu estou muito ansiosa para conhecer Barcelona! – A mais baixa não conseguia disfarçar o entusiasmo, os olhos negros brilhando – Vamos para lá depois do natal!
- E vocês gostaram do jogo? – perguntou, enquanto assinava alguns papéis que surgiam em torno das duas.
- Claro! Você foi ótimo! – Hani se pronunciou pela primeira vez.
- He, gracias.
Mesmo após alguns segundos de silêncio, as duas garotas pareciam estar muito entretidas em palavras que não estavam sendo ditas. De quanto tempo mais Sergio precisava? Xabi arriscou olhar de esguelha para o amigo. Parecia que ambas haviam percebido.
- Então, Estella e Hani… vocês… são fãs? Do Real Madrid? – As duas se entreolharam. Xabi se sentiu um idiota. Mesmo seu maior fã o acharia um idiota depois disso. Elas tinham camisas do time. Assistiram ao jogo. Berraram como loucas. E ele perguntara se elas eram fãs.
- Hm. Sim. Na verdade eu torço pelo Barça, hehehe – Estella começara a desatar a falar, com as bochechas corando – mas eu gosto muito de vocês, acho besteira esse negócio de rivalidade entre os times e…
Xabi jogou os olhos castanhos claros  a sua direita novamente, se perguntando se Sergio não ia mostrar logo o sorriso branco capaz de cegar alguém e acabar logo com aquilo. Não que não adorasse conversar com os fãs, muito pelo contrário; só não era bom em disfarces e, muito mais tempo, todo seu esforço teria sido em vão.
- … mas a Hani é muito fã MESMO! Ela… hm – novamente as duas morenas notaram algo e quando iam se virar para olhar para aquela direção, Xabi teve uma idéia repentina. Agarrou o punho de Hani, e os quatro olhos se voltaram para sua mão.
- É verdade?! Há, bueno, então… – Xabi olhou desesperadamente de canto de olho para os dois homens. Por favor, que acabassem logo com aquilo! Hani estava imóvel, em choque, mas Estella parecia a caminho de desviar os olhos novamente.
- Então, vocês NÃO QUEREM MINHA CAMISA?! – Sí! Conseguira chamar a atenção das duas. Elas nem pareciam ter percebido o quanto sua voz desafinara. Ficaram boquiabertas e sem fala por alguns segundos.
- S-Sim! Sim! – Hani exclamou – Oh, sim, queremos!
- É… mas você só tem uma…
- Ah, a gente rasga ao meio, sei lá! – Hani tornou-se para a amiga, arregalando os olhos. Depois disse entre dentes – Estella…!
- Eu sei! É claro que a gente quer, a gente dá um jeito, hahaha! Marc, v-
Marc devia ser o amigo.
- Espera! Vocês gostam mesmo do Real Madrid e eu pensei… vocês… vieram de tão longe, não é? Brasil! Isso é, como, do outro lado do mundo! – Essa era uma péssima idéia. É bom que Sergio conseguisse mesmo sair com o tal do Marc.
- É verdade, mas aqui é um sonho! – Hani e Estella pareciam realmente gostar de futebol. E da Espanha. E do clube.
- Bueno… e tem um treino em Barcelona depois do ano novo… então eu pensei que vocês talvez quisessem ir – Ótimo. Genial. Xabi acabara de convidá-las para um treino fechado. O que aconteceria com ele? A pontada de remorso foi logo embora, pois a expressão no rosto das duas brasileiras era inexplicável. Depois de se recuperarem, a mais alta respondeu.
- Nossa, é sério? Muito obrigada, isso seria incrível, eu, eu… – Seus olhos castanhos giravam nas órbitas tentando encontrar as palavras.
- Nós nem sabemos o que dizer, Xabi. Isso… não temos como agradecer o suficiente – A mais baixa e mais morena empurrou o cabelo para longe dos olhos e puxou uma fantástica mecha para trás da orelha. Fantástica? De onde veio isso? O cabelo encaracolado era bonito, mas… Joder. Era realmente extraordinário o modo como a luz refletia na cor dos fios em dégradé.
- Vale, não é nada demais… – Bem, alguém não estava sendo exatamente honesto. Aquilo era praticamente uma sentença de punição… – Só escrevam seus nomes para mim…
Xabi resolveu tentar uma espiadela uma última vez. Sergio havia finalmente terminado. Estava se virando. Hani estendia um pequeno pedaço de papel.
 – Certo! Ótimo! Ainda tem muito tempo até lá! Espero que vocês apareçam! Até mais.
Por Dios. Pelo menos não estava mais usando aquela camiseta desconfortável. E agora a conversa toda e o grande favor que fizera pareciam memórias distantes. Subiu as escadas rapidamente.
Armários. Bancos. Chuveiros. Outros madridistas rindo com suas bromas. Água. O espanhol fechou os olhos enquanto sentia o calor e a tensão evaporarem juntamente com as gotas que se dissipavam em formato de vapor.
Não era de demorar muito no banho. Só ficava tempo o suficiente para sentir-se refrescado. Mas aquela tarde deteve-se por mais tempo do que nunca. Momentos como esse o faziam perceber a quanto tempo não parava para conversar, tomar uma atitude espontânea. Desligou a água e passou a mão no cabelo que pingava.
Se sentia preso a uma rotina. Enrolou a toalha no corpo e se dirigiu ao seu armário. Pegou sua mochila da prateleira e sentou-se no banco. Há quanto tempo passava reto para vestiários e ia direto para casa. O quanto andava cansado.
Um leve tapa nas costas o acordou de seus pensamentos. O moreno de cabelos compridos tirou a toalha e sentou-se ao seu lado, puxando sua bolsa. Ele sempre fora assim, desinibido. Deu uma piscadela.
- Você devia me agradecer, Sergio. É bom que você tenha conseguido.
- Gracias, cabrón! Sim, foi tudo como o planejado. E você? – Ele não tirava aquele sorriso afetado do rosto.
- Por supuesto, eu dei minha camisa a elas… e eu tive que ficar inventando mil perguntas já que você demorou um século…
- Mas deu tudo certo?
- Tirando o fato de que eu estou completamente encrencado! Eu convidei elas paraum treino fechado. O de Barcelona. Você tem alguma noção do que isso quer dizer? O que o Mourinho vai dizer? Ele vai me matar – Sergio deu risada enquanto arrumava as meias.
- Mas vocês se deram bem, sí? Seria um tanto quanto desconfortável na terça-feira se não… – Ele se virou, remexendo em suas coisas. Obviamente tentando fugir de qualquer reação.
- Terça-feira?
- Ah, é, terça a gente vai sair.
- O que, Sergio? E quando eu ia ficar sabendo disso?
Ramos parou o que quer que estivesse fazendo e vestiu sua expressão galanteadora de Don Sergio.
- Eu já fiz o bastante por você.
Ainda com aquele sorriso descaradamente malicioso e lisonjeiro. Ele não desistiria mesmo. Ele nunca desistia.
- Está bem – O sorriso de Sergio conseguiu expandir-se ainda mais, e ele se aproximou de Xabi num movimento sorrateiro, segurando seu rosto entre suas palmas e apertando um beijo em sua bochecha – SAI! SERGIO RAMOS, PARE COM ISSO! EU NÃO VOU MAIS A LUGAR NENHUM SE VOCÊ FIZER ISSO DE NOVO!
Sergio se levantou rindo, se afastando na direção de Iker.
- Eu te ligo na quarta para te avisar que horas você pode me pegar. Você vai dirigindo – Ele sempre decidia as coisas pelos outros, e sempre conseguia o que queria.
Ao menos Xabi faria algo de diferente. De algum modo, se sentia mais… livre.

I - Xavi


- É só uma fase, você pode treinar mais.
Ele quase caiu da escada que levava ao vestiário ao escutar as palavras do capitão. Foi pior do que sua consciência martelando na sua cabeça… Joder. Talvez não fosse para soar daquele jeito, mas acabou soando, de qualquer maneira.
Porém, ao invés de cair, ele só suspirou e continuou subindo. Era um longo lance de escadas. Seria muito mais fácil fingir que tudo aquilo não estava acontecendo, ele estava até conseguindo, até entrar no vestiário e sentir todos os olhos nele. Suspirou ainda mais fundo pra espantar todos os pensamentos a caminho do seu armário – agora essa porcaria de armário parecia estar bem no meio do ambiente. Não reparou que, ao bater as coisas daquele jeito, chamava ainda mais atenção. Será que o dia não podia ficar pior ainda?
- Olha, Xavi… – É, podia ficar pior.
- Gerard… Não, não. Vai embora. Não é uma boa hora.
Ele fez aquela cara de ‘Piqué’. E, quando ele fazia aquela cara, é porque ninguém mais havia entendido nada, só ele. Xavi fingiu que não o viu continuar parado ali, e se concentrou em tirar suas meias. Ele ficou lá, com aquela feição irritante, parecendo querer testar os nervos do amigo. Parecia até uma criança. Então, a exigência era a reação que se tem com uma.
- Que é, Piqué? – Ele disse bufando.
- Nossa! Cortou relações agora? – Ele fez uma voz de ofendido que não convencia ninguém.
- Não, só não é um bom momento pra você ficar me consolando – Ele mal encarava Gerard.
Cara de ‘Piqué’ de novo.
- Na verdade… Eu ia te distrair. Não ia falar nada sobre o jogo.
É odiável esse gênero de pessoa que aparece quando você está nervoso e você simplesmente não consegue se irritar com ela. Você fica com mais raiva, mas não fica realmente bravo. Piqué era uma dessas pessoas. E, percebendo que a sua estratégia de distração não ia funcionar, ele se afastou, deixando Xavi só de novo.
Sozinho, ele pôde respirar normalmente. Claro que ele ficou enrolando na frente do armário até todo mundo sair. Pelo que se lembrava, nem mesmo Sergio Ramos se demorava tanto assim nos banhos durante a Copa do Mundo. E ele era o campeão de vaidade e tinha a maior coleção de cremes de cabelo que Xavi já vira. Mas aquela situação pedia por isso. Assim, ele podia tomar uma ducha sozinho.
A água do chuveiro foi como uma terapia. Era só daquilo que ele precisava. Silêncio e água. Era até mágico. Ele esqueceu completamente do lixo de partida que ele tinha feito, de como seus companheiros de time o tinham olhado como culpado, de como a torcida não o aplaudira e nem ao time. Droga, os pensamentos estavam voltando…
Estendeu o braço cansado para pegar o sabão. Esfregou-o nos ombros tensos. Podia sentir que uma noite mal dormida vinha por aí. Fechou a torneira e pegou a toalha que deixara jogada por cima da divisão.
Se dirigiu à zona de águas, entrando na primeira piscina, a de água escaldante, descansando a toalha na beirada. Quando fora a última vez que jogara tão mal? Sacudiu a cabeça e fechou os olhos, colocando o rosto embaixo da água. Ainda de olhos fechados, tateou a parede, procurando a escada. Quando a encontrou, emergiu e sentou-se. Para melhorar as coisas, sentia uma pontada de dor na perna direita, no mesmo lugar daquela antiga lesão, a mais grave que já sofrera e que o tinha impedido de jogar por tanto tempo.
Às vezes ele desejava nunca ter se envolvido com o futebol. Não, isso não era possível. Ele nascera para aquilo, fora predestinado. Então o que desejava em alguns momentos, como aquele, era que o destino escolhido para ele tivesse sido outro. Perdera muitas coisas, enfrentara muitos obstáculos e fizera muitos sacrifícios por algo que trazia isso de recompensa. Como poderia amar tanto algo? Ser tão obcecado, fascinado? A ponto até mesmo de perder Elsa?
Ele afastou aquela lembrança o mais rápido possível. Levantou-se e puxou a toalha. Afinal, aquilo não era culpa dele. Não era à toa que jogava num time daquele calibre, há tanto tempo. Se secou a caminho de sua taquilla. Não era por acaso que fora indicado para ganhar o Ballon d’Or. Enrolou-se na toalha e parou na área das pias, entre os chuveiros e os armários. Ele recebera muitas ofertas incríveis, como aquela do AC Milan, que o pai dele ainda não se conformara de não ter aceitado. Se olhou no reflexo, passando a mão no cabelo. Era reconhecido na Espanha toda pelo seu trabalho.
Xavi acreditava estar sozinho, e foi num pulo que foi surpreendido se encarando no espelho por um vulto alto. Loiro e de olhos azuis. Nada mais nada menos do que Gerard Piqué. Ele deu risada da reação do mais baixo. Xavi teria brigado com o amigo se ainda não estivesse tão sobressaltado.
- Geri… você… nossa, você me assustou!
- ‘Geri’? Isso quer dizer que está melhor, então? – Gerard era realmente um bom amigo. Provavelmente o tinha esperado até agora.
- Já é tão tarde, o que você ainda está fazendo aqui? – Geri levantou as sobrancelhas. Era bem óbvio que os pensamentos de Xavi estavam certos  – Não está me seguindo, né?
Os dois riram e, desviando da pilastra central, se dirigiram aos bancos em que se sentavam todos os dias. Exatamente os mesmos, já que o banco ao lado do seu era o de Piqué. Enquanto ele jogava as roupas em seu corpo, o amigo fitava as mãos, remexendo as unhas ruídas.
- Sabe, isso é realmente um péssimo hábito – Xavi terminara de se vestir e agora encarava o outro com um meio sorriso forçado.
- Se torturar é um hábito pior ainda.
As palavras de Gerard não fizeram muito sentido. Quer dizer, fizeram, mas tinham mais de um sentido. A maioria das coisas que ele dizia era ambígua, e Xavi nunca sabia se devia levá-las no sentido bom, ruim ou literal. Às vezes se perguntava se o amigo fazia aquilo de propósito. Ele não era nenhum idiota, mas não parecia muito… apto para maquinar coisas desse tipo, que dissesse algo assim somente para fazer com que os outros refletissem.
De um jeito ou de outro, ele sempre refletia, e aquela frase o fez sentir melhor. Realmente ele estava se torturando sem razão. Não uma razão consistente, pelo menos. Que culpa tinha ele? Todos tinham dias ruins, até mesmo Puyol. Eles não eram tão freqüentes, mas existiam.
- Eu te esperei porque achei que talvez você quisesse conversar. Ou sair e esquecer isso tudo! Você sabe que eu sou o rei das festas. Yo soy um conejo de fuego! – Eram frases desse tipo que faziam com que Xavi acreditasse que Gerard não era muito apto.
- É, eu não acho que estou muito no clima de sair, Geri…
- É, não achei que você ia querer mesmo… – Todos não demoravam muito para perceber, depois que conheciam Xavi, que tipo de pessoa ele era.
- Você sabe que não é só porque não tem jogo amanhã que eu vou s-
- Sei, sei! Você é o señor responsabilidade! Então vamos conversar? – Gerard perguntou com um sorriso animado.
- Eu tenho alguma outra opção? – Ambos sabiam que Piqué era uma daquelas pessoas que tinha a habilidade de sempre convencer os outros a fazerem o que queria. Ele não precisava falar nada para que Xavi soubesse que a resposta para sua pergunta era ‘não’.
O zagueiro se levantou, chamando o amigo com um gesto de cabeça. Ele o seguiu pela porta, tomando as escadas a caminho da saída para o estacionamento. O caminho era relativamente longo, e sempre que saíam juntos do estádio percorriam aquela rota conversando.
- Então, como está se sentindo, nano? – Gerard colocou o braço em volta dos ombros do outro.
- O que você acha? – Talvez tivesse sido ríspido demais. Xavi olhou para cima com uma cara de remorso – Desculpe, é que eu… eu estou melhor. Mas é que é…
- Frustrante? – Aquilo parecia mais uma afirmação do que uma pergunta.
- Bem…
- Decepcionante? – O loiro indagou.
- Eu…
- Você se sente impotente? – Ok, era o suficiente! Sim, Piqué tinha entendido seu ponto. Mas não precisava continuar.
- Bueno… é.
Os dois ficaram em silêncio por algum tempo. Provavelmente Gerard percebera a gafe que cometera e tentou remediá-la fazendo alguns comentários sobre jogadas incríveis das últimas semanas.
- Você viu aquele gol do Ibra? Ele estava realmente incrível no domingo!
- É, acho que ele está tendo uma boa temporada… – Xavi respondeu, meio desinteressado.
- É, com certeza! Teve aquele jogo contra o Juventus! Nossa… – Talvez não fosse exatamente o melhor tópico. Ele continuou, de qualquer maneira – O clássico com o Inter, também! Eles estão numa maré de sorte!
O zagueiro começou a discorrer sobre a temporada de outros times, do Atlético de Madrid ao Arsenal. De súbito, quando alcançaram o último lance de escadas, Piqué parou de falar e se virou para mirar os olhos cor de chocolate do amigo.
- Eu acho mesmo que você não devia se preocupar, alguém sempre é o alvo de críticas em um certo momento… Você… – Xavi olhava para o chão. Preferia não falar sobre o assunto, mas Gerard insistia – Você é incrível.
O silêncio persistia. O zagueiro tentou mudar de assunto quando chegaram ao hall.
- O que você vai fazer agora nas fiestas?
-Eu não sei direito, provavelmente vou passar o natal com mis papas y hermanosem Matadepera, mas no Ano Novo devo ficar por aqui – Gerard sempre perguntava coisas sem motivo, só por casualidade. Mas quando tinha algum interesse envolvido, como era o caso, ele nunca conseguia disfarçar – E você?
Os dois já estavam no estacionamento. O carro branco de Piqué se encontrava a poucos metros de distância, enquanto o seu estava do outro lado. Quem sabe conseguiria escapar? Se a resposta de Gerard fosse longa, quem sabe.
- Ah, o natal também devo passar com a família… Eu estava pensan-
- Ah, o seu irmão já voltou? – Xavi interrompeu Piqué. Ele não queria nem imaginar o que ele queria, o que estava planejando. Então talvez conseguisse prolongar o assunto sobre a família até que chegassem ao carro do amigo e ele podia se virar e fingir que não escutara mais nada.
- Na verdade não, vou buscar o Marc no aeroporto amanhã. Então, como eu ia dizen-
- É mesmo? Você… – Xavi pensou por um segundo.
- Sim?
- Você… você chamou o Cesc? Para passar o ano novo aqui?
- O que? Como assim, Xavi? Ele está vindo para o Barça! E de qualquer jeito, ele é espanhol, sabe. Ele sempre vem pra cá de um jeito ou de outro – Droga. Piqué deu risada e estava prestes a continuar.
- Ah, o que eu quis dizer foi… - Xavi odiava o fato de que conseguia bolar uma jogada em um segundo, mas não tinha a menor facilidade em inventar um assunto – Ok, o que você ia dizer?
- É sobre o ano novo. Se você quiser vem comigo no aeroporto amanhã, e eu te conto – Gerard respondeu, entrando em seu Audi A7.

Tuesday, August 16, 2011

I - Xavi

- It’s just a phase, you can train harder.
He almost fell down the stairs that led to the locker room when he listened to his captain’s words. That was worst than his own conscience banging in his head… Joder. Maybe it wasn’t supposed to sound like that, but it did, anyways.
However, instead of falling, he just took a breath and kept going up. It was a long flight of stairs. It would be much easier to pretend all of that wasn’t happening, he was even getting there, until he entered the dressing room and felt all eyes on him. Took a even deeper breath to wash away all the thoughts heading to his locker – now this fucking locker seemed to be right in the middle of the room. He didn’t notice that, by throwing things like that, he was catching even more attention. Could this day get any worse?
- Look, Xavi...- Yeah, it could.
- Gerard… No, no. Go away. It’s not a good time.
He had the ‘Piqué’ look. And, when he wore that face, it was because nobody understood what was happening but him. Xavi pretended not to see him standing there, and focused on taking his socks off. Piqué stayed next to him, with that annoying face, as if he wanted to test his friend’s nerves, like a child. So Xavi acted like a father, as the situation asked for.
- What, Piqué? – He said, sighing.
- ¡Caramba! Are we cutting ties now? – He had an offended tone that didn’t convince anyone.
- No, it’s just not a good moment for you to be comforting me – He barely faced Gerard.
‘Piqué’ face again.
- Actually… I was going to distract you. I wasn’t even gonna say anything about the game.
It is so irritating this kind of people that shows up when you are upset and you just can’t get mad at them. You get even more upset, but not actually angry. Piqué was one of those people. And, realizing his distraction strategy wasn’t going to work, he backed away, leaving Xavi alone once more.
Alone, he could breathe normally. Of course he fooled around until everybody was out. For what he could remember, not even Sergio Ramos took so long showering during the World Cup. And the long haired brunet was the vanity champion, with the biggest hair treatment cream collection that Xavi had ever seen. But the situation asked for it. That way, he could take a bath by himself.
The water was like a therapy. It was all he needed. Silence and water. It was even magical. He completely forgot about the sucky match he played, how his teammates blamed him with their eyes, how the fans didn’t applaud him or the team. Damn, the thoughts were coming back…
He threw his arm to reach the soap. Rubbed it in his tense shoulders. He could feel there was a bad night coming. The man closed the tap and picked up the towel he left hanging over the shower division.
Xavi went to the water zone, entering the first pool, really hot, resting the towel on the edge. What was the last time he had played so poorly? Shook his head and closed his eyes, putting his head underwater. Still with his eyes closed, fumbled the wall, looking for the stairs. Finding it, emerged and sat down. To make things even better, he could feel a twinge in his right leg, in the same spot of that old injury, the most severe he ever had and the one which prevented him to play for a long time in the past.
Sometimes he wished he never got involved with football. No, that was impossible. He was born for that, it was fate. So what he really wished at times like that one was that the destiny chosen for him would have been other. He lost many things, faced many obstacles and made many sacrifices for something like that as a reward. How could he love something that much? Be so obsessed, fascinated? Even reaching the point of losing Elsa?
He backed that memory away as fast as he could. Got up and grabbed the towel. After all, that wasn’t his fault. He didn’t play for such a big team and for so long for no reason. The midfielder dried himself on his way to his taquilla. It was no accident that he was nominated for the Ballon d’Or. He wrapped the towel over his hips and stopped in front of the sinks, between the showers and the lockers. There were a lot of amazing offers, like the one from AC Milan, the one his dad didn’t get over him not accepting. He looked at his reflection, wiping his hand over his hair. He was recognized all over Spain for his work.
Xavi believed he was alone and he jumped when he was surprised looking at himself in the mirror by a tall figure. Blonde with blue eyes. No less then Gerard Piqué. The man laughed at the reaction of the shorter one. Xavi would have scolded his friend if only he wasn’t still so startled.
- Geri… you… wow, you scared me!
- ‘Geri’? Does that mean you’re better, then? – Gerard really was a good friend. He probably waited around all that time for him.
- It’s very late, what are you still doing here? – Geri raised his eyebrows. It was quite obvious Xavi’s suspicions were right – You’re not following me are you?
They both laughed and, diverting from the central post, they went to the benches where they seated every day. Exactly the same, since the seat next to his was Piqué’s. While he threw the clothes over his body, his friend stared at his hands, poking his bitten nails.
- You know, that’s a really bad habit – Xavi had finished dressing and now faced the other one with a faked half smile.
- Torturing yourself is an even worse one.
Gerard’s words didn’t make much sense. Actually, they did, but they had more than one meaning. Most things he said were ambiguous, and Xavi never knew if he should take them in the good sense, the bad sense or the literal one. Sometimes he asked himself if his friend did that on purpose. He was no fool, but he didn’t seem much… fit to plot this kind of thing, saying something like that just to make others think it over.
One way or another, Xavi always did, and those words made him feel better. Indeed he was torturing himself for no reason. Not a consistent one, at least. How could it be his fault? Everybody had bad days, even Puyol. They weren’t so frequent, but they existed.
- I waited for you because I thought maybe you wanted to talk. Or go out and forget all about this! You know I’m the king of parties. Yo soy um conejo de fuego! – It was statements like those that made Xavi believe Gerard wasn’t very fit.
- Yeah, I don’t think I’m really in the mood to go out, Geri…
- Yeah, I didn’t think you would be… – After getting to know Xavi, it didn’t take long to notice what kind of person he was.
- You know that just because there’s no game tomorrow doesn’t mean I’m going o-
- Yeah, yeah! You’re señor responsibility! So shall we talk then? – Gerard asked with a cheerful smile.
- Do I have any other option? – They both knew Piqué was one of those people who had the ability to always convince others to do what he wanted. He didn’t need to say anything for Xavi to know that the answer to his question was ‘no’.
The defender got up, calling his friend with his head. He followed him through the door, taking the stairs that led to the parking lot. The way was fairly long, and every time they got out of the stadium together they went through that route talking.
- So, how are you feeling, nano? – Gerard put his arm around his friend’s shoulder.
- What do you think? – Maybe that was a little harsh. Xavi looked up with a regretful face – Sorry, I just… I’m better, really. But it’s just so…
- Frustrating? – That sounded more like a statement than a question.
- Well…
- Disappointing? – The blondie inquired.
- I…
- You feel powerless? - Ok, that was enough! Yes, Piqué got the point. But he didn’t have to carry on.
- Bueno… yeah.
The two stayed silent for a while. Gerard probably realized his slip and tried to fix it by doing some comments about incredible moves during the past few weeks.
- Did you see Ibra’s goal? He was really something on sunday!
- Yeah, I guess he’s having a good season… - Xavi answered, a bit indifferent.
- Yeah, absolutely! There was that match against Juventus! Wow... – Maybe it wasn’t exactly the best topic. He kept talking, anyway – The  derby against Inter, too! They are on a streak of luck!
The defender began to discuss other team’s seasons, from Atlético de Madrid to Arsenal. Suddenly, when they reached the last flight of stairs, Piqué stopped talking and turned around to stare at his friend’s chocolate eyes.
- I really do think you shouldn’t worry, everyone is the target of criticism at some point… You... – Xavi looked down. He’d rather not talk about it, but Gerard was really insistent – You are amazing.
The silence remained. The tallest man tried to change the subject as they got to the hall.
- What are you going to do on these fiestas?
- I’m not sure, I’m probably spending Christmas with mis papas y hermanos in Matadeperra, but I guess I’ll be here on New Year’s Eve – Gerard asked questions with no reason all the time, randomly. But when there was some kind of interest behind it, as it was then, he could never hide it – You?
They were already on the parking lot. Piqué’s black car was a few feet away, while his was on the other side. Maybe he could escape? If Gerard’s answer was long enough, perhaps.
- Oh, I’ll end up spending Christmas with my family too… I was thinki-
- Hm, is your brother back yet? – Xavi interrupted Piqué. He didn’t even want to picture what the other one wanted. So there was a chance he could extend the matter about his family until they got to his friend’s car and then he could turn around and pretend he couldn't listen to anything else.
- Actually no, I’m going to pick up Marc at the airport tomorrow. So, like I was sa-
- Really? You... – Xavi thought for a second.
- What?
- Did you… did you call Cesc? For New Year’s Eve?
- What even? What are you talking about, Xavi? He's coming to Barça! And he’s spanish you know. He always comes over one way or another – Shit. Piqué laughed and was about to continue.
- Ah, what I meant was... – Xavi hated the fact he could plan a move in a second, but had not the slightest clue in how to make up an issue – Ok, what were you going to say?
- It’s about Año Nuevo… If you want you can come with me to the airport tomorrow, and I’ll tell you all about it – Gerard answered, getting inside his Audi A7.